Índice Stress Supra-Renal
São muitas as pessoas que se sentem "stressadas" e que exprimem frequentemente esse sentimento. O stress é uma palavra familiar na vida actual.
A existência de uma reacção de stress perante uma ameaça é uma resposta positiva para o nosso organismo pois constitui uma resposta de defesa perante agressões externas ou internas. São reacções bioquímicas e fisiológicas úteis numa resposta a situações pontuais ou breves. Um nível de stress episódico num determinado momento é pois muito positivo, ao contrário de um stress continuado, que é muitas vezes prejudicial.
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Podemos definir o stress dito "bom" como aquele que nos dá força e direcciona para a realização de um trabalho positivo.
Entendemos como um stress "mau" aquele que nos leva a um estado de ansiedade prejudicial ou de depressão, em
que temos a sensação de que a sua causa ou causas estão fora do nosso controlo e que pode evoluir de uma situação aguda para uma situação crónica.
São exemplos: Stress transitório
- Períodos de exames.
- Tramitação de um divórcio.
- Preparação de uma competição ou de uma festa.
- Propostas ou exercícios para um posto de trabalho.
Stress prolongado
- Ter a seu cargo um familiar com deficiência.
- Desemprego prolongado.
O estilo de vida actual e sobretudo o citadino, levam a uma série de situações que, embora de uma forma isolada, não se possam considerar como agentes stressantes, contudo quando associados podem no seu conjunto transformar-se em agentes stressantes. Como exemplos, o ruído ambiental, a condução com tráfego lento, a pressão do trabalho, inclusive em condições normais, o espírito de êxito permanente e os problemas familiares (ainda que sejam os “normais”).
Como identificar uma situação de potencial stress
Mecanismos fisiológicos - Fases do stress
1) Fase de Alarme (fase inicial, de resposta pronta e de grande amplitude): Baseia-se na reacção de estimulação do sistema nervoso simpático (SNS) e secreção de catecolaminas pela medula supra-renal.
Numa fase posterior, é aumentada a secreção de Cortisol e de DHEA pelo córtex supra-renal. Os sinais observados, mais importantes, desta fase, são resultado da estimulação do simpático:
- A erecção dos pêlos.
- A elevação da glicémia pela glucogenólise.
- O aumento da termogénese.
- A midríase.
- O aumento do ritmo cardíaco.
- O aumento da sudação.
- A vasoconstrição a nível do aparelho digestivo.
- O aumento da pressão arterial.
- O aumento do calibre dos brônquios.
- O aumento dos triglicéridos por lipólise
Duas horas após o estímulo, activa-se o eixo Hipotálamo Hipófise Supra-Renal, com o consequente aumento da secreção de Cortisol, preparando o organismo para manter uma resposta sustentada de stress perante a persistência do estímulo. Ocorre também a secreção de DHEA que de certa forma contraria muitos dos efeitos prejudiciais do Cortisol.
Do equilíbrio entre a secreção de Cortisol e de DHEA depende a integridade da saúde do indivíduo ou a passagem à situação de doença.
2) Fase de adaptação: O organismo através de múltiplas vias metabólicas compensa a sua homeostasia perante a permanência do agente stressante.
3) Fase de descompensação: Perante a permanência crónica do agente stressante o organismo pode entrar em “esgotamento” da sua capacidade em manter a homeostasia podendo ocorrer uma situação de claudicação/fadiga do organismo.
Efeitos do Cortisol elevado: O Cortisol tem no seu conjunto um efeito catabólico, este efeito contribui positivamente para a acção defensiva contra o stress, mas pode ser muito prejudicial, caso não se resolva em pouco tempo, pois a manter-se, aumenta os seus efeitos negativos, destacando-se: O aumento da glicémia e da massa gorda, a perda de massa muscular, a redução da resposta imune e a perda de massa óssea.
Efeitos da DHEA: A DHEA tem um efeito anabólico, que pode compensar os efeitos catabólicos do Cortisol, protegendo da osteoporose, reduz a inflamação e favorece a lipólise, para além de estimular a formação de massa muscular (magra).
Determinação do Índice de Stress Supra-Renal
Nas situações de stress prolongado, torna-se importante uma correcta interpretação do estudo do ciclo circadiano do Cortisol e da relação com a DHEA, assim como para outros estudos que podem ser complementares, de acordo com a sintomatologia do doente.
Outros parâmetros de Diagnóstico Laboratorial do stress a considerar: o doseamento das catecolaminas urinárias, a Substância P, a Interleucina-6, a Prolactina, TSH, T4 e T3 (suspeita de hipotiroidismo).

